Compartilhe
facebook twitter gplus

Japão: diferente de tudo que você já viu

03/09/2020

Por Ricardo Westin*. Especial para a The Traveller.

O Japão é diferente de todos os lugares que já visitamos. Por ser uma ilha, longe de influências estrangeiras, o país criou e preservou uma identidade muito particular, única, inconfundível. Os samurais podem não existir mais, mas ainda são motivo de orgulho. As gueixas permanecem e são muito respeitadas. O mesmo vale para os lutadores de sumô. Nos dias de descanso, os japoneses se refugiam no interior, onde se hospedam em pousadas simples com piscinas de águas termais, da mesma forma que seus antepassados faziam. A personalidade forte do Japão não está apenas nas tradições. Ela se vê também na modernidade, que, mesmo nesta era da massificação, é diferente da modernidade que conhecemos. As grandes cidades japonesas, como Tokyo e Osaka, conseguem ser mais aceleradas e futuristas do que as principais metrópoles do planeta. Até a arte tem uma cara própria, equilibrando comedimento e ousadia. Outra peculiaridade notável é a hospitalidade — ou omotenashi. No Japão, a acolhida é muito diferente da acolhida, por melhor que seja, a que estamos acostumados. Seja na loja ou no restaurante, seja no hotel ou no trem-bala, os japoneses praticam a omotenashi através do sorriso sincero, do olhar atencioso e do tom suave da voz. Não há como não amar um país tão especial.

Um país, duas religiões
Na religião, o Japão se divide entre o xintoísmo, nascido no próprio país, e o budismo, absorvido da Ásia continental. Os locais de devoção das duas fés se espalham por todo o território. Identificar a religião à qual cada local pertence não é difícil. O xintoísmo tem santuários, que se apresentam coloridos, luminosos, festivos. O elemento mais característico dos santuários xintoístas é o torii, grande portão de entrada composto de duas colunas unidas no alto por dois varões. O budismo, por sua vez, tem templos. Eles são discretos, sóbrios, austeros. A peça arquitetônica típica dos templos budistas é o pagode, torre com beirais pontiagudos em vários níveis. Cada cidade não tem apenas um santuário e um templo, mas sim vários. Há magníficos exemplares em Tokyo, Kyoto, Arashiyama, Nikko e Wakayama. Em Miyajima, o destaque é um santuário que fica à beira-mar, numa enseada. Quando a maré sobe, o torii parece flutuar sobre a água. Quando baixa, é possível caminhar até ele. Em Nara, há uma grande estátua de Buda abrigada dentro de um templo que é tido como a maior construção em madeira do mundo.

Natureza intocada
Um dos (tantos) pontos fortes do Japão é a natureza. Surgem, por todo o arquipélago, dezenas de parques nacionais, cada um com sua beleza particular. Neles, os visitantes fazem caminhadas e escaladas, observam plantas e animais, nadam nos lagos e rios, refrescam-se com os respingos das cachoeiras, relaxam nas nascentes de águas quentes, respiram ar puro, desconectam-se da vida frenética das cidades. De todos, o mais visitado é o Parque Nacional Fuji-Hakone-Izu, por estar próximo de Tokyo e abrigar o icônico Monte Fuji. Orgulho nacional, o Fuji é um vulcão que adormeceu há três séculos e tem o cume permanentemente coberto de neve. Ao redor do monte, há cinco grandes lagos. No extremo sul do arquipélago, surge um Japão surpreendente, que foge a todas as imagens clássicas do país. São as ilhas de Okinawa, com praias idílicas, mar de águas cristalinas e dias ensolarados. As ilhas são perfeitas para passeios de barco, observação de baleias e mergulhos por recifes de coral. Embora esteja um pouco acima do Trópico de Câncer, Okinawa é um pedaço do Japão que poderia ser facilmente confundido com algum paraíso tropical. 

Arte para todos os gostos
Na arte, o Japão nada deixa a desejar. A ilha de Naoshima, por exemplo, transformou-se num espaço integralmente dedicado à arte contemporânea, com esculturas ao ar livre, museus com arquitetura modernista e casas de pescadores convertidas em galerias de arte. O cartão-postal da ilha é a Abóbora Amarela, inusitada escultura à beira-mar criada por Yayoi Kusama, a artista japonesa mais celebrada da atualidade. A cidade de Matsumoto, onde Yayoi nasceu, ergueu um museu que abriga uma magnífica coleção de esculturas, pinturas e instalações assinadas por ela. Outra cidade que respira arte é Hakone, aos pés do Monte Fuji. Entre seus tesouros, estão o Museu de Arte Okada, com pinturas e cerâmicas de todo o Extremo Oriente, e o Museu ao Ar Livre de Hakone, com obras de Rodin, Miró e Picasso. Em Tokyo, a lista de opções inclui o Museu Nacional de Arte Ocidental, projetado por Le Corbusier e guardião de obras-primas de Van Gogh, Rodin e Pollock. A capital também se destaca em outro tipo de arte, o kabuki, ramificação do tradicional teatro japonês. No Teatro Kabuki-za, os atores se apresentam com maquiagens tão elaboradas e extravagantes que até parecem ser máscaras.


*Ricardo Westin é jornalista, escritor e cientista político radicado em Brasília, que tem entre seus principais interesses as viagens e a história. É colaborador da Teresa Perez desde 2012, criando conteúdo para as publicações da agência.

 

0 Comentário